quinta-feira, 27 de julho de 2017

Coletivo Rua evoca a união de forças e a libertação em disco de estreia





































Existem certas histórias que as cidades não contam, mas revelam. Trechos de vida esquecidos em ruas esburacadas, no caos do vai e vem, nos olhares perdidos amontoados no transporte público. Uma infinidade de segredos e sentimentos deixados todos os dias pelas milhares de pessoas que na correria do cotidiano abandonam um pouco de si, se espalhando por aí.

Inspirados nesses movimentos e no que eles representam, os músicos Galego (voz), Marcelo Sanches (guitarra), Davi Indio (baixo) e Bianca Predieri (bateria) formaram um novo grupo, ou Coletivo Rua, que lança seu disco de estreia, homônimo.

Produzido pela própria banda em São Paulo (SP), no Estúdio Elefante, com mix e master de Buguinha Dub, no estúdio Mundo Novo, em Olinda (PE), Coletivo Rua é um grito de alerta, um recado urgente, uma chamada pela união.

“Esse disco veio de modo muito espontâneo, tava tudo muito dentro da gente”, explica o vocalista Galego sobre o processo criativo da produção. “O álbum é um olhar para o Brasil de hoje em dia, de como a vida para uma boa maioria de brasileiros está ruim e esquisita. É sobre união, porque no fundo estamos todos na luta. A gente defende também a importância da arte, de como ela é uma janela para cultura e educação, uma ferramenta para a construção de um bem comum”, declara.

Na bagagem sonora, o Coletivo Rua trouxe para esse álbum influências variadas, ecléticas entre si e complementares no todo. Rock, rap, música popular brasileira, samba e jazz são alguns dos tons que compõem as melodias das dez faixas do álbum.

“Cordeirinho” abre o disco com uma batucada próxima ao afrobeat, denunciando em sua letra tipos de opressões corriqueiras no dia a dia do brasileiro comum. “Sagarana” vem na sequência, de pegada mais rap e fazendo analogias do mundo animal com a selva urbana. “Coragem”, faixa de base jazzística, foi também o primeiro single do trabalho e traz a participação especial do rapper Sombra.
A quarta “Grana”, segundo singlelançado, questiona as regras e a disposição ditadas pelo dinheiro, em um rap direto com Lurdez da Luz como convidada especial. “Multi” remete a ritmos brasileiros como o baião e o manguebeat e traz o cantor China participando dos vocais

“Ponto de Fulga” mescla reggae e jazz numa melodia encorpada e de vocal melancólico. A composição reflete embates dos tempos atuais e joga luz sobre uma das possíveis soluções para estes conflitos: “É preciso se reinventar”. “Inunda” é mais soturna, de rock mais intenso e pesado. A oitava, “Primeira Divisão”, é também a mais eletrizante do álbum, devido aos samples siderais que passeiam pela faixa.

“Eu Vim da Beira Voz” evoca a união de forças e traz em sua melodia referências ao reggae. A última, “Tranquilidade”, encerra o álbum com a participação especial da cantora Yzalú, numa vibe soul music, feita de baixo consistente e guitarra dançante. 

Marcapágina lança seu novo clipe





















A Marcapágina acaba de lançar seu primeiro videoclipe do EP “Sexto Grau”. A faixa “Elas” foi a escolhida para acompanhar a “saga” da atriz Ananda Scaravelli pela noite de Florianópolis, reafirmando a forte identidade que a banda trouxe no último lançamento. A produção ficou por conta da produtora Cinese Filmes.

Sobre a banda
O grupo de rock alternativo de Florianópolis começou seus primeiros refrões no finalzinho de 2013. E logo em Março do ano seguinte, lançaram seu primeiro EP - ‘Prefácio’ - que atingiu mais de 30 mil execuções no Soundcloud da banda.

Ao mesmo tempo, tais relações carecem de profundidade e de interesse genuíno. E foi esse o gatilho para o novo trabalho do grupo catarinense, o EP “Sexto Grau”, lançado em setembro de 2016, mostrando a maturidade e identidade lapidada da banda após os primeiros trabalhos.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Rawph - A melancolia vai nos separar, outra vez (2017)





































O que eu acho é onde nós, como consumidores de música, estamos?! . O que nós conseguimos? Por que sentimos essa conexão ao ouvir alguém que não conhecemos, confrontando seus próprios demônios? A resposta é uma coisa obscura que tem algo a ver com contexto, escapismo e crescimento, entre muitas outras coisas, mas é verdade que a maioria de nós ficaria um pouco perdida sem essa conexão.

A música que Rawph faz sempre foi sobre esse link e as áreas cinzentas que o cercam. Ele atua como algum tipo de gateway emocional, a confusão de seu registro de estreia, em particular, de alguma forma forneceu uma claridade surpreendente pela qual poderíamos examinar nossos próprios pensamentos internos.  ‘’A melancolia vai nos separar, outra vez’’, na superfície, é um disco diferente. Um registro muito menos denso, foi sua voz desta vez - um falsete confessional surpreendente, que foi trazido totalmente à tona - que atuou como uma mão para guiar. 

Curitiba sempre foi uma planície emocional com a chegada do outono e do inverno. Há um calor frio sobre as reflexões das sete faixas,   muitas vezes mágicas, e o desconcertante  encontro de lo-fi com emo continua essa tendência. É uma fria rajada de ar e instrumentos varrendo você para as esperanças celestiais e os devaneios dos "dias melhores". E com um tratamento poderosamente silencioso e puxa em todas as cordas do coração.

Se você passou algum tempo, mesmo um segundo, sentindo pena de sua emoção, questionando se suas lágrimas eram inválidas ou a ideia de mostrar qualquer tipo de emoção tornava você  uma pessoa a menos, esse disco foi feito para você.  A melancolia vai nos separar, outra vez acrescenta um pouco de atração ao apelo energético de Rawph. É um pedido para ficar sem vergonha de quem você é, abraçar exatamente quem você é neste segundo e cada momento que segue, e usar cada emoção em sua manga. 

O EP foi lançado pelo selo Banana Records e pelo Lo-Slow Records.  A composição toda foi feita por Rawph, a produção é Lo-Fi feita por Michael Wilseque, tudo feito em casa. A capa por Julia Roos.

TAÚ - Tudo Finda - (mixtape)


Eu estava pronto para descrever esse EP (que na verdade é uma mixtape) com algum som de bytes romantizados tipo “trilha sonora para seus sonhos”, no entanto, depois de varias audições repetidas, isso não soa verdade. Tudo Finda, o primeiro lançamento do projeto TAÚ - lembra mais o espaço estranho e maravilhoso entre acordado/ sonhando - aqueles momentos meio conscientes quando tentamos recordar os absurdos de nossas imagens noturnas. Lutando para segurar e subir de volta para dentro deles; Para enganar lógicas e regras e aprofundar esses momentos. Para apreciá-los e preservá-los em algum lugar antes de eventualmente, e quase incondicionalmente, se afastarem para sempre.

É justo dizer que a complexidade do tempo e do espaço são fatores-chave em todo o registro. A abertura delicada ( Apogeux ) é maravilhosamente equilibrada e imediatamente se obriga a que batidas suaves e minimalistas flutuem através de uma cama de tons não ajustados. A simplicidade terrena da introdução logo dá lugar a visões mais experimentais e eletrônicas. Mosh  é uma faixa fraturada que se arrasta sem percorrer, todos os sintetizadores irregulares e percussão agitada, antes que uma amostra  de experimentalismo surpreendente o leve a outro lugar inteiramente.

A atenção geral aos detalhes em toda mixtape é genuinamente algo para se maravilhar. A mudança de ritmo súbita e dramática para o final deTudo Finda e a construção nebulosa dos Caminhos são ambos os destaques de agitação, no entanto, os cenários suaves e sutis são assombrosos e perfeitamente estruturados em toda a parte. As amostras também são consistentemente absorventes, derivando dentro e fora dos procedimentos, nunca se sentindo fora de lugar ou insistente.

Então, como tudo isso é possível? TAÚ explica: Sou de Belém, produzo musica pop/eletrônica experimental de forma independente. Depois de finalmente criar coragem para expor os trabalhos que venho produzindo a algum tempo lancei a alguns dias 3 musicas que fazem parte de uma mixtape chamada ''Tudo Finda'' Além da produção musical em si, que é até então basicamente a base instrumental, desenvolvo uma imagem visual associada à uma poética que explique o conceito das musicas que lancei.

Para alguém que ainda aprende e aprimora seu ofício, Tudo Finda é realmente um começo surpreendente. Medido, fielmente construído e muitas vezes bonito, suas tendências de sonhos flutuam, permitindo ao ouvinte um vislumbre de mundos com os quais não estamos acostumados e caminhos que muitas vezes esquecemos de pisar. Passe algum tempo explorando-os e tente segurá-los o tempo que puder.

Com referências cinematográficas e nostalgia, nasce um novo projeto, o FITA

Foto: Daniel Athayde

André Luiz Souza é conhecido e São Paulo pelo trabalho que desempenhou no grupo Ronca e por também fazer parte do Loyal Gun. O artista agora segue com novo projeto, o FITA. O projeto solo é calcado no eletrônico e tem um pé forte nos anos 80, de bandas como New Order e Human League, mas não fica só na nostalgia que elas trazem, reciclando as referências e synthpops como o Daft Punk, M83, Chromatics, Death From Above 1979 e Justice, outras influências de seu som.

Mas ele não quis parar por aí. Inspirou-se no antigo para trazer algo novo. As trilhas sonoras de filmes como “Tron” (tanto a nova do já citado Daft Punk ou do anterior da Wendy Carlos), “Drive”, com composições inéditas de Cliff Martinez (ex-baterista do Red Hot Chilli Peppers), “BladeRunner”, do músico Vangelis e a trilha do recente seriado da Netflix, “Stranger Things”, assinada pela banda Survive, também aparecem como grande inspiração para o FITA.

“Eu estava tentando seguir uma linha de som tipo New Order no começo. Mas, eu não quero ficar preso só nesse rótulo. Vou fazer músicas alegres, dançantes e outras rock’n’roll. O que me guia é o que eu tenho vontade de tocar. Nostalgia faz parte da minha vida. Eu gosto de coisas antigas: videogames, carros, roupa de brechó, fotos antigas de família, vitrola, filmes dos anos 80. Quis colocar um pouco desse sentimento na estética do projeto”, conta André.

Aqui, André faz às vezes da banda de um homem só: produz, toca, arranja e cria as canções. O primeiro EP, Stick the Crazy, tem quatro músicas e uma faixa bônus com o remix para “Take me to the ride tonight”, que contém a única parceria do disco, com Adriana Marroni. A outra voz feminina no disquinho é de Cíntia Murphy da ascendente banda In Venus.

O nome do projeto vem dessa ligação com o passado. Para ele, FITA pode ser qualquer “fita”. Fita cassete, fita de Super Nintendo, de Mega Drive, pode ser até uma gíria. “Pode ser várias “fita”, tá ligado?

Incesto Andar - Ao Vivo






















Às vezes, a melodia soa como um lento domingo dirigido pela expansão urbana em decomposição de uma cidade que você não reconhece mais como sua. Em outros momentos, é o simples testemunho de alguém mostrando o tipo de paixão e vigor que você já sonhou, antes que esses pensamentos fossem enterrados, permanecendo apenas na forma como as fotografias antigas substituem a memória do evento realmente acontecendo.

Como todas as coisas mais interessantes da vida, você precisa realmente entrar em momentos crucias para entender um fim plenamente. Sim, é o Incesto Andar! Registrado na maioria das maneiras que você já conhece; Mas é uma versão nostálgica do que aconteceu antes. Há rugas em torno dos olhos, rachaduras na pele, pequenas protuberâncias que você nunca notou antes, mas ainda tem a capacidade de surpreender. 

Vai levá-lo a sair dançando; Chocando você com seus braços familiares e firmes, antes de varrê-lo em seus ouvidos de maneiras que você pensou que haviam desaparecido há muito tempo. Por toda sua familiaridade íntima, o que fica é um registro veementemente resoluto, e é inabalável.

Tire um tempo para chorar ao ouvir seu último registro abaixo:

 

terça-feira, 25 de julho de 2017

Projeto solo de Rubens Adati divulga single de primeiro disco cheio

Foto: Kalaf Lopes

O ano de 2017 começou agitado para Rubens Adati, ele que é vocalista e guitarrista da banda Vladvostock, estreou em fevereiro seu projeto solo Meu Nome Não é Portugas. O EP “e n d o p a s so s” (Banana Records)  chama a atenção por ser uma produção completamente DIY, Rubens compôs, gravou (todos os instrumentos), mixou e masterizou tudo em seu Inhamestúdio.

Agora, cinco meses depois de lançar o seu primeiro EP, Meu Nome Não é Portugas anuncia o lançamento de seu primeiro disco cheio, “Sob Custódia da Distância”. Como gostinho do que está por vir, Rubens Adati apresenta uma canção inédita, a faixa, que da nome ao disco, ganhou um videoclipe cheio de texturas, elas conversam com a densidade sonora dessa canção instrumental e dão o tom do trabalho que está por vir. 

Meu Nome Não é Portugas ganhou também uma formação para apresentações ao vivo. Acompanhado de Max Huzsar (Dr. Carneiro), Zelino Lanfranchi (ex Parati e Cabana Café), e Rafael Carozzi (Kid Foguete, Readymades). Rubens promete um show repleto de nuances, dinâmicas e profundidade.

Gabriela Garrido lança o clipe de “Mergulho”

Foto:  Bléia Campos

A cantora e compositora carioca Gabriela Garrido lançou recentemente um clipe para a faixa-título do seu primeiro EP, “Mergulho”, lançado no ano passado.

O nome da música é bem autoexplicativo: ela fala sobre a sensação de se entregar, de estar imerso no que você ama, de ser verdadeiro consigo mesmo. O vídeo funciona como uma confissão, e os jogos de luz querem transmitir diferentes emoções e traços sendo aos poucos revelados.

Um segundo EP já foi gravado e será lançado no segundo semestre. Enquanto isso, “Mergulho” e as outras faixas do disco estão disponíveis nas principais plataformas digitais.

Download do disco AQUI 

[Lançamento]: Músico misterioso xoxoto lança primeiro EP

Evidenciando a proposta de ouvidos atentos ao que acontece na música alternativa e independente em todo o Brasil, o primeiro lançamento do selo Cavaca Records, vem de uma pequena e pacata cidade, localizada no sul de Minas Gerais. Muzambinho é berço de um músico com idade superior a toda essa nova geração, mas tão atual quanto ela.

xoxoto é o nome desse cara. Logo de primeira esse nome pode te causar estranheza e até mesmo causar pensamentos maliciosos, no entanto, não se deixe enganar, o assunto aqui é música experimental. 

Descobriram suas canções – todas elas instrumentais – após comprar um computador antigo no centro de São Paulo, e abrir a carcaça encontrar uma pilha de fotos velhas e amareladas, junto a tudo isso uma porção grande de disquetes. Trataram e recuperaram todo o material que ainda tinha salvação: assim nasceu o EP “Saudade Muzambinho”.

Com 4 faixas, o disco retrata com extrema sensibilidade momentos cruciais da vida de xoxoto  em Muzambinho durante os anos 70, 80 e 90. Vale ressaltar que não existem muitas certezas sobre quem de fato é xoxoto, sabemos apenas seu local de nascimento e que ele tem uma irmã viva chamada Lalaa, provavelmente é ela quem cuida de sua página no facebook, ou quem sabe seja o próprio xoxoto. Fato é que jamais conseguimos contato direto com ele, tudo rolou via Lalaa.



Faixa a Faixa

1 - "Bem-Vindo"
Essa é a faixa que introduz o ouvinte ao mundo de xoxoto. Ela vai por linhas tênues como um inicio de noite, dançante e suave. O músico dá as boas vindas ao seus amigos e fãs, fique a vontade e não tenha medo dessa história estranha. 

2 - “Single/1”
A primeira música a ser resgatada dos disquetes, nesta faixa xoxoto buscou abordar uma situação anormal que aconteceu em sua cidade natal durante a fase da adolescência. Uma energia negativa fez com que os moradores não fossem à igreja no domingo, não saíssem para o trabalho na segunda e tudo parecia ser ação dos alienígenas, quando na verdade era a polícia de NY investigando a cidade e colhendo informações através de ondas de rádio.

3 - “xöx”
Uma faixa de muita experimentação. Se você deixar a música bater em seus ouvidos será transportado à cidade de Muzambinho, a viagem começa aqui e não tem hora para acabar. A agitação de baterias muito loucas representam a vida noturna e agitada dos jovens moradores de uma cidade que só é calma no papel.

4 - “Saudade Muzambinho”
Esta é a faixa que encerra o primeiro Ep do nosso ídolo. Aqui a melancolia é bem maior e a nostalgia ganha espaço com algumas frases gravadas nas ruas de Muzambinho durante os anos em que ele morou por lá. A calmaria no fim da música tenta representar o inicio de um novo ciclo, talvez até mesmo o inicio de um novo dia na cidade.

Sobre o Cavaca Records:

O cenário nacional de música alternativa/independente é extremamente acolhedor e colaborativo, após constatar esse fato com proximidade, nós resolvemos fazer parte da fatia ativa deste nicho. 

Sediado em São Paulo, mas com ouvidos atentos ao que rola em todo Brasil e no mundo, o Cavaca Records acredita que dá para fazer o rolê ficar ainda mais inclusivo e divertido, tanto para as bandas, músicos e musicistas quanto para o público de um modo geral. 

Formado por Cainan Willy e Yasmin Kalaf - sob tutoria de Rubens Adati (Vladvostock/Meu Nome Não é Portugas) - temos como propósito trabalhar com projetos que, de alguma maneira, seguem o mesmo padrão sonoro e estético.


''Dias Em Lo-Fi'' é o disco de música lo-fi necessário em um momento como este





















Não contente com nos deixar franzindo a testa e adulações em 2015 através do lançamento de ‘’Enxaqueca’’, O duo carioca LuvBugs revela ‘’Dias Em Lo-Fi’’ , uma coleção de onze músicas que, bem, nos deixa franzindo a testa e adulando, a tristeza que se desloca por todos os instantes, franzindo nossas sobrancelhas, enquanto os pequenos músculos da testa se recuperam, enquanto a beleza que murcha também é algo tão jubiloso e cheio de promessa como uma manhã de primavera..

Dias Em Lo-Fi começa um pouco na região selvagem, algumas notas discordantes que tocam no éter, o roquinho rodeado de batidas cortantes onde melodias tristes e divertidas encontram o seu lugar. O disco produz o tipo de zumbido que levita acima de sua pele e o transporta para fora do seu espaço, mesmo que por apenas alguns minutos. A relação do ritmo de guitarra e bateria em todas as faixas me lembra "King of the Beach" do Wavves.

Em outras mãos, tais maneirismos podem muito bem ser excessivos, mas Rodrigo Pastore (guitarra/vocal) e Paloma Vasconcellos (bateria) sempre sabem quando se afastar, quando deixar sentimentos pendurados no ar e voltar para o lado musical do registro. E esse lado musical é algo esmagadoramente especial em si mesmo, cada faixa compartilhando uma estética semelhante para que toda a peça se sinta surpreendentemente imersiva, apenas ocasionalmente rompendo com seu caminho mais nebuloso e vago para adicionar pequenas marcas de luz e cor aos ambientes de outra forma obscurecidos.

Produzido pela banda em gravações caseiras e sessões no Estúdio Floresta com Rafael Matias no início deste ano, o novo disco é o primeiro da LuvBugs desde Enxaqueca. Um inescrupuloso lo-fi sofrência cheio de poesia produtiva. Ele ressoará com qualquer um que tenha se sentido inseguro em seus próprios pés, e reflete bem a narrativa subjacente do álbum sobre a sobrevivência em meio à instabilidade com músicas inocentes e rápidas sobre dores crescentes e amor.

Qual é, talvez, o motivo pelo qual essas músicas curtas entram tão profundamente no mundo dos ouvintes. Por toda a ambiguidade que é anexada a essas entradas diárias poéticas, elas ainda sentem parte de nós, do nosso mundo e caminhos. Não tenho certeza por quê. Talvez não haja uma resposta. Mas, por sua própria maneira, elas representam pequenos pedaços de nós, manchas minúsculas que podemos escolher ou ignorar, mas que se sentarão lá como lembretes de qualquer maneira.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

SUPERVÃO lança TMJNT - a ponte entre a rave e as bandas independentes brasileiras

Foto: Ana Paula da Cunha

Supervão acaba de lançar seu aguardado segundo EP. Intitulado TMJNT, o trabalho é um resultado das primeiras viagens que a banda fez para tocar e divulgar o seu trabalho anterior, Lua Degradê, que escalou o grupo em diversos festivais de música independente como Morrostock, Festival Brasileiro de Música de Rua, Festival Bananada, Dia da Música e Festival Bolo Fofo.

TMJNT é uma fuga em meio ao caos mental e social causado pelo momento político brasileiro. A partir de uma mistura de sons bastante heterogêneos, a banda produz em TMJNT uma sonoridade que tem sido chamada de technopunk, eletroindie, neu tropicália e vapor rave, gêneros que a Supervão compreende e se influência diretamente. Hoje, juntar diferenças e provocar encontros musicais, cada vez mais, pode ser compreendido como um ato revolucionário tendo em vista os processos de curadoria digital. 

A Supervão busca com esse lançamento dialogar com as cenas independentes brasileiras mais energéticas dos últimos dois anos: as raves de rua e os festivais de bandas independentes brasileiras. 

Artes da capa do disco são resultado do trabalho de Mario Arruda com a artista Ana Paula da Cunha. Supervão em TMJNT é Mario Arruda, Leonardo Serafini e Ricardo Giacomoni. A mixagem é de Bernard Simon Barbosa (Casinha) e a masterização de Vini Albernaz (Musa Híbrida).

Lançamento Lezma Records & Honey Bomb Records. 


domingo, 23 de julho de 2017

Coletivo Rua aborda a rotina do dinheiro em novo clipe, “Grana”, feat. Lurdez da Luz

Foto: Matheus Matta


São Paulo, 19 de Julho de 2017 - O Coletivo Rua estreia seu novo videoclipe, idealizado para a faixa “Grana”. A música é também o segundo single do disco homônimo da banda, cujo lançamento completo está confirmado para dia 26 de julho.

“Grana” leva a participação especial da rapper Lurdez da Luz e apresenta um rap direto, feito de muitos beats e tons jazzísticos. A letra fala sobre o dinheiro e a rotina dilacerante que se desenvolve ao seu redor, pontuando a desigualdade social e a falta de melhores - e mais - oportunidades para quem não possui tanto.

“Grana, entre nós, há uma interferência
Nem peguei na mão
E já passou o dia de fazer a transferência” 

Com direção e fotografia de Julia Borst e do vocalista Galego, o clipe traz diferentes pessoas entoando a letra da música. Para o cantor, “os rostos são diferentes, mas o sentimento e a realidade é comum a todos eles. É só uma pequena amostra de bilhões de pessoas no mundo todo que poderiam estar no clipe”, comenta. 

Formado do encontro entre Galego (voz) e Marcelo Sanches (guitarra), o Coletivo Rua é uma banda que busca promover a união, seja ela de ideias, sons e mensagens. Somando referências do rock ao rap, o projeto traz uma sonoridade conectada aos sentidos e sentimentos existentes numa cidade como São Paulo. Bianca Predieri (bateria) e Davi Indio (baixo) somam a esse coletivo, que entre versos e melodias, busca engajar seu público a refletir sobre a vida e os principais desafios encarados nesta sociedade contemporânea, marcada pela ansiedade e opressão.

Com a divulgação de “Grana”, a banda dá mais um passo em direção a estreia de Coletivo Rua, álbum inédito que o grupo lança ainda no mês de julho nas principais plataformas de streaming. Se os tempos são de desigualdade, promover ideais coletivos é uma urgência.


Coletivo Rua
Formado em 2017 por Galego (voz), Marcelo Sanches (guitarra), Bianca Predieri (bateria) e Davi Indio (baixo), o Coletivo Rua é um novo projeto musical que vem para somar dentro do cenário independente paulistano. Com referências do rock ao rap, o projeto já leva dois singles lançados: “Coragem” e “Grana”, que assim como todo o disco, foram produzidos pela própria banda no Estúdio Elefante (São Paulo - SP), com mix e master feitas por Buguinha Dub no Estúdio Mundo Novo, em Olinda-PE.

Após cinco anos, Fones retorna com o single "Tiros em Columbine"




























Cinco anos se passaram desde que o Fones despontou com seu aclamado EP de estreia, Revólver. Depois de muitas reviravoltas, sob nova formação e identidade, a banda de Sorocaba-SP retorna com o single "Tiros em Columbine", que fará parte de um novo registro do quarteto, com previsão de lançamento para o segundo semestre. 

Além de Renan Pereyra (guitarra/voz) e Paulo Augusto (baixo), o grupo conta agora com Maurício Barros (guitarra) e Gabriel Wiltemburg (bateria), ambos também integrantes da banda Justine Never Knew The Rules. A sonoridade traz influências de rock alternativo 90's e do underground nacional, o que vem sendo chamado pelo quarteto de soft punk.

A música faz referência a um documentário lançado pelo cineasta Michael Moore sobre o histórico massacre de Columbine, que ocorreu no Colorado, nos EUA, em 1999, mas a letra pode ser interpretada de diversas formas, inclusive como um paralelo ao nosso atual momento político. 

"Tiros em Columbine" foi gravada no Back Studio, em Sorocaba-SP, e a mixagem e masterização são assinadas pelo próprio baterista Wiltemburg, com produção do Fones. Ouça abaixo!

Músicos brasilienses Beto Mejía e Kelton unem forças no projeto Suave Sutil

Fotos: Jimmy Lima

Nomes fortes da cena do Distrito Federal, Beto Mejía e Kelton lançam novo projeto em uma série de vídeos ao vivo. Intitulado Suave Sutil, o trabalho levou os artistas ao icônico Teatro Dulcina. Já foram revelados os vídeos para “Soneca” e “Todo amor do mundo”. 

“A ideia da locação foi reforçar o #dulcinavive e dar visibilidade para esse lugar que estava sucateado. O espaço for importante na cena e depois ficou esquecido, como vários lugares importantes na cidade”, conta Beto Mejía.


Conhecido como flautista do Móveis Coloniais de Acaju, trabalho que dividiu com outros nove instrumentistas ao longo de 18 anos, Beto lançou no fim do ano passado “Wahyoob”, seu segundo trabalho solo. O álbum traz músicas de inspirações diversas, de orixás a cultura pop, passando por referências sonoras percussivas, melódicas e eletrônicas.

O cantor e produtor Kelton trabalha em “Lacunar”, álbum viabilizado por financiamento coletivo, com lançamento marcado para 4 de agosto. A obra, segundo ele, é seu disco mais pessoal até hoje, fruto de um “surto criativo” vindo de um ano difícil quando chegou até a perder a vontade de fazer música. Ao invés do violão com o qual ficou conhecido, o músico entrega um disco baseado na guitarra elétrica com referências no rock alternativo.

Unindo esses momentos pessoais e introspectivos nas obras dos dois artistas, Suave Sutil chega em vídeos dirigidos por Octávio Schwenck Amorelli.

“Para o repertório, escolhemos músicas que priorizassem melodias e um clima intimista. O nome do projeto sugere isso, simplicidade e organicidade, emoção à flor da pele com a melodia e a sensação”, conclui Beto.

 
 

Em webclipe, Alvares explora o cotidiano do Rio de Janeiro

Foto: Marina Choinski

No novo webclipe do cantor Alvares, o cotidiano é o protagonista. O vídeo para a canção “Lembra porque se foi” explora a temática da rotina em uma grande cidade e seu vai e vem efêmero. Já disponível no YouTube, o lançamento encerra a divulgação do álbum “Sala de Estar Experimental Vol. 1”, lançado no início do ano. 

A produção prima pela simplicidade: a filmagem aconteceu apenas com um iPhone, realizada e editada pelo próprio Alvares. Na finalização, as imagens passaram a ganhar novos contornos, com filtros e texturas que brotam das pessoas, carros e plantas que surgem no caminho do observador - uma presença que não se revela ao longo do vídeo. A câmera segue pela zona sul do Rio de Janeiro, tendo como ponto de partida a Rua Real Grandeza e seguindo em direção ao baixo Botafogo, um trajeto recorrente para o próprio Alvares.

“Lembra porque se foi” vem para encerrar o ciclo de trabalho de “Sala de Estar” e preparar o caminho para um novo momento do artista. “Depois de toda a divulgação desse álbum, dos singles que vieram após ele e que ainda têm algum diálogo com o disco, eu me preparo para uma outra fase. Muito em breve vou lançar um compacto, com duas faixas que vêm pra dar um pouco de ideia do que vai ser meu próximo disco”, revela. O novo trabalho tem previsão de lançamento ainda para o segundo semestre. 

Mais que encerrar esta etapa, o webclipe propõe uma reflexão sobre os caminhos que tomamos e o “piloto automático” de cada dia. Ao mostrar pessoas que seguem suas rotinas e se movem no espaço urbano sem deixar vestígios, Alvares faz um paralelo com a letra da canção, onde versa sobre o fim de um relacionamento. Versos como “e se no caminho resolver voltar/lembra porque se foi” entregam o questionamento de quem se despede de um relacionamento ainda sem saber se segue em frente ou retorna àquele amor.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Novo Lançamento: Ideias, etc - Estrelado





































Foi lançado em (17/07/17) o quarto trabalho da Ideias, etc, praticamente uma one man band do jovem Evandro Depiante, nascido em Vitória no Espirito Santo, mas que atualmente reside em Pelotas - RS.  No disco de oito faixas (com + 2 de bônus no download) ouvimos em breves pérolas pops relatos sobre a solidão, alucinações e outras noias da cabeça do músico.

Estrelado é um registro bagunçado, ruidoso e frustrante. Também é maravilhoso, por todas as razões pelas quais me afastei ouvindo as duas primeiras faixas, mas agora abraço de todo o coração. A vida, acontece, é bagunçado, ruidoso e frágil e, por isso, é lógico que aqueçamos as coisas que refletem esses sentimentos, e o Ideias, etc certamente faz isso. 

Da triste restrição da trilha de abertura ( noise,noise,noise ) para a maravilhosamente contemplativa Conversas,  é o tipo de disco que o acompanha; Rastejando debaixo da sua pele, apenas fica ali, um reflexo rígido e honesto de uma mente enlameada perdida no confuso nevoeiro do dia a dia.

Para saber um pouco mais sobre o projeto, acompanhe a entrevista do músico AQUI 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Ouça "Emotional Inception", novo single da Missing Takes




























A Missing Takes acaba de lançar ‘Emotional Inception’, novo single de ‘Uneven Tides’, segundo EP da banda com lançamento previsto para este semestre. A faixa foi gravada na Casinha, em Porto Alegre (RS), por Bernard Simon Barbosa e Rodrigo Messias, que também é baterista da banda, e masterizada em Los Angeles, na Califórnia (EUA), por Brian Lucey, vencedor de seis Grammy Award e reconhecido pelas parcerias com The Black Keys e Arctic Monkeys.

É marcante a referência ao rock alternativo das décadas de 1990 e 2000 também neste novo trabalho. Até porque a banda tem se aproximado cada vez mais das origens do gênero após a California Tour, realizada entre abril e maio de 2017, com nove shows em diferentes cidades do estado norte-americano. Uma nova viagem para fora do Brasil já está marcada para novembro. Em breve, a banda vai anunciar as novidades.

Sobre a banda

Formada em 2015, a Missing Takes lançou seu EP de estreia, ‘Superfriend Going Down’, no Dia Mundial do Rock - 13 de julho - do ano seguinte. A primeira formação contava com Mateus Zuanazzi (vocal e guitarra), Pedro Mello (baixo), Caio Mello (guitarra solo) e Tony Zambon (bateria). Após a gravação do disco, o baterista saiu e Rodrigo Messias, sócio do estúdio Casinha, de Porto Alegre (RS), que já havia acompanhado a produção do EP, assumiu a vaga.

Em 2017, com a saída de Caio Mello, a Missing Takes assumiu uma formação temporária de trio. Ao mesmo tempo, surgiu a oportunidade de tocar em Los Angeles (CA), nos Estados Unidos, dando início a um projeto que virou realidade: a primeira turnê internacional. A California Tour aconteceu entre abril e maio deste ano.

Com a volta ao país, chegou também o lançamento primeiro single do novo EP. A faixa ‘Pulling Back’ teve aparições em listas de melhores lançamentos de maio de 2017 e apresenta o amadurecimento da banda, com mais participações especiais e unidade autoral. ‘Emotional Inception’ dá continuidade a esse processo, que levará ao segundo EP da banda porto-alegrense, intitulado ‘Uneven Tides’.

Missing Takes é Mateus Zuanazzi (vocal e guitarra), Pedro Mello (baixo), Tito (guitarra solo) e Rodrigo Messias (bateria).


Fotos: Gustavo Faria

Ouça logo abaixo "Emotional Inception" e "Pulling Back", os dois singles já liberados do novo EP.

Ventre e EATNMPTD lançam documentário sobre show no Bananada

Foto: Rodrigo Gianesi

Um dos shows mais aclamados pela crítica especializada durante o festival Bananada 2017 acaba de virar documentário. O encontro das bandas E a Terra Nunca me Pareceu Tão Distante (SP) e Ventre (RJ) foi realizado em maio, durante showcase do Dia da Música, no festival goianiense. O curta de nove minutos foi produzido no melhor estilo “do it together” pela Moment, que acompanhou as bandas desde o desembarque no aeroporto, no ensaio e durante a apresentação. O resultado é uma troca de energia intensa, revelando a forte amizade que há entre os músicos.

"A gente é power trio, então a gente sempre fica fazendo mais pra preencher a falta de um quarto membro. E agora a gente tem que fazer menos, dar espaço, abrir o espaço e ouvir o outro. Mas pra mim, pelo menos, isso significa diversão", relata Larissa Conforto, baterista da Ventre.

Duas das bandas mais explosivas da atual cena independente, o trio carioca Ventre e o quarteto paulista E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante tornaram aquela apresentação histórica. No repertório, canções das duas bandas em uma performance que uniu duas baterias, dois baixos, três guitarras, e ainda teclados e programações. Nos últimos anos, as bandas são presença marcante em festivais de todo o país e também trazem em comum os seus trabalhos dentro do casting da Balaclava Records.

A combinação de letras intimistas com o indie rock dos anos 2000 e a psicodelia dos anos 70 são a fórmula da Ventre, que traz em sua trajetória a participação em outros  festivais importantes no circuito alternativo nacional, tais como Bananada (GO), Do Sol (RN), Coquetel Molotov (PE), Transborda (MG), Vaca Amarela (GO), MoLA (RJ), SIM São Paulo 2016 e MECAInhotim (MG). A Ventre é Hugo Noguchi (baixo), Larissa Conforto (bateria) e Gabriel Ventura (voz e guitarra).

O quarteto instrumental E a Terra Nunca me Pareceu Tão Distante marca o público pelo entrosamento. Os guitarristas Lucas Theodoro e Luden Vianna e a cozinha representada por Rafael Jonke Buriti e Luccas Villela mostram que o rock independente está mais forte do que nunca. Formado em 2013, na capital paulista, eles apresentam no show o repertório dos seus discos "Nem Tanto, Nem tão Pouco" (2013), "E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante" (2013), "HIP 13044b" (2014), "Luz Acesa" (2014) e "Vazio" (2014), além do single “Medo de Morrer | Medo de Tentar” (2016).

Ficha Técnica

Concepção e produção artística: Katia Abreu

Produção local: Chrisley Hernan Ximenes e Edimar Filho
Som PA: Bernardo Pacheco
Som Monitor: Gustavo Mendes
Roadie: Fabiano Benetton
Luz: Chrisley Hernan Ximenes

Vídeo produzido por Moment

Imagens, montagem e finalização:
Diogo Fleury, Rodrigo Cunha, Victor Souza

Realização: Dia da Música + Festival Bananada + SESC Goiânia

Apoio: Balaclava Records, Breve, Cafofo Estúdio

Assista ao documentário: